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- Poxa cara, não fica contando spoiler de Assassin’s Creed!
- Mas não é spoiler, eles falam isso no início do jogo! Praticamente faz parte da sinopse!
- Deixem disso! Spoiler é saber que quando você zera o Katamari, a Queen of All Cosmos aparece peladona.
— Tilts

Streets of …

por Mauricio Carvalho

“Esta cidade era um feliz, pacífico lugar… até um dia. Uma poderosa organização criminosa secreta a dominou. Este sindicato vicioso rapidamente obteve controle do governo e até mesmo da polícia. A cidade se transformou um centro de violência e crime onde ninguém está a salvo.”

De que cidade estou falando? São Paulo? errou. Rio de Janeiro? Passou longe. Belo Horizonte? Muito menos. Na verdade, este é um trecho do prólogo de Streets of Rage, um aclamado jogo de ação da Sega, com uma excelente trilha sonora de Yuzo Koshiro (talvez sua maior obra). Mas poderia muito bem ser o prólogo de um livro de história, daqui a uns 100 anos, falando de qualquer uma das grandes cidades brasileiras. Streets of Rage, agora, parece uma profecia do nosso futuro.

Quando era menor, eu tinha uma ideia de um jogo que se passaria nas ruas de uma grande cidade brasileira. O personagem principal deveria, portanto, evitar e fugir de assaltantes de todos os tipos. Isso porque eu, por experiência prórpria, achava que andar nas ruas de uma grande cidade era praticamente um jogo de videogame. Você precisava de estratégias, cuidados e evitar perder vidas (no nosso caso, nossa única vida).

Hoje vejo que naquela época já existia pelo menos um jogo baseado nessa história. Streets of Rage por exemplo. Você anda pelas ruas enfrentando marginais até chegar ao cabeça da gangue.

Coincidência ou não, ontem joguei Streets of Rage. Inclusive li o prólogo do jogo, o qual achava nunca tinha lido em todos esses anos. O prólogo, como descrito acima, diz que uma grande cidade fora dominada por uma organização criminosa e até mesmo os policiais haviam sido corrompidos. E que, percebendo isso, 3 ex-policiais resolvem enfrentar o crime e a violência pela cidade e derrotar o grande cabeça da organização, o Mr. X.

OK, agora me diga, o que essa historinha aí tem de diferente do que ouvi no Jornal Nacional ontem mesmo? Nossas grandes cidades são dominadas por organizações criminosas. As ruas estão tomadas pela violência. Nossos policiais ou são curruptos ou não possuem condições de combater o cada vez mais organizado e armado crime. Até eles têm medo.

Se a muito tempo atrás eu achava o jogo difícil, hoje acho uma baba. No jogo os inimigos não possuem armas de fogo! Ora, fácil demais, já que na realidade as coisas são bem diferentes. Ah, fora que no jogo, quando você chama a polícia, ela realmente vem, instantaneamente. Além disso, no jogo, você está sempre ouvindo uma excelente música de Yuzo Koshiro. Já na realidade, se você tiver ouvindo alguma música na rua, é provável que fique sem o seu radinho…

É uma pena. Naquela época o jogo que eu tinha bolado era realmente empolgante, algo que nunca ninguém tinha pensado antes. Mas hoje não tem mais graça. Mesmo sem ter visto minha idéia se tornar um jogo, já enjoei dele. Todo dia, quando saio às ruas eu o jogo. E parece não ter fim. Todo dia é uma fase nova, e a cada novo dia o jogo fica mais difícil. Em Streets of Rage, 3 pessoas, depois de muita luta, conseguiram salvar a cidade no final. Será que no nosso jogo 180 milhões conseguirão salvar o país?

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Um beijo do gordo!

por Mauricio Carvalho

Gosto muito do Jô Soares, acho ele muito comédia. Sempre que posso assisto o programa dele e acordo metade do prédio com minhas gargalhadas. Esses dias, inclusive, estava assistindo ao programa. Era uma entrevista com a atual namorada do Ronaldo, O Fenômeno. Acho que ela se chama Raica, Raika ou algo assim, parecido com nome de personagem de Final Fantasy.

Num certo ponto da entrevista, o Jô pergunta à moça se ela gosta de jogar videogames. Ela diz que sim. Aí veio o que me deixou um pouco assustado: Jô Soares afirma que nunca, sim, ele disse NUNCA, jogou videogame, e pediu pra que ela o explicasse como era isso. Ele não sabia como jogava, com o quê se jogava e o que acontecia depois que o jogo acabava… A moça até tentou explicar… Disse que tinha várias “fitas” (gíria que eu usava na época do Atari) e que jogava com o “controle” (achei que ela falaria “manete”, que é o que geralmente muitos casual gamers falam).

Agora tudo que o Jô sabe sobre videogames saiu da boca de um casual gamer. Qual o problema disso? Bem, pelo que percebi, o Jô tem o (pre)conceito de que videogame é algo que se joga sozinho. E a moça acabou por confirmar. Quando ele perguntou se ela jogava sozinha, ela respondeu que sim. Seria normal se a pergunta não tivesse sido feita no sentido de “videogame se joga sozinho?” como o Jô fez. Outra coisa, ele perguntou o que ela fazia depois que jogava um jogo. Ele queria saber o que ela fazia quando o jogo terminava. Bem, ela disse que existem várias “fitas” pra se jogar, que quando terminava uma, ela jogava outra. Que existem “fitas” de corrida, aventura… E que ela gostava de Mario Kart (pelo menos, aqui, o Jô disse que conhecia o “Mario Bros”). Espero que ele não tenha achado que é um círculo vicioso, em que, quando se termina um jogo, quer jogar mais e mais e mais…

Deu vontade de ligar pra lá e dar uma breve palestra sobre “o que é o videogame”. Na verdade, senti foi angústia de ver que, uma pessoa como o Jô Soares, dita muito culta e inteligente, ser ignorante no que se refere a videogames que é o entretenimento que está mais em evidência no mundo atualmente. Talvez mais que a música ou o cinema. Na verdade, é a arte do século 21. A ignorância do Jô mostra, não somente a ignorância de toda a indústria brasileira mas, também, como ainda é forte o preconceito e a própria ignorância no Brasil quando se fala em videogames. É por isso que nós gamers ainda somos os “anti-sociais” e “assassinos em potencial” da história e vivemos num mundo de fantasia, sozinhos e cheios de problemas psicológicos.

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