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Electronic Games Show 2005, Capítulo 3: Knights of the Old Republic

por Mauricio Carvalho

Ao sair do pavilhão, percebemos um céu bem fechado. A caminhada até a Estação Tietê não é das mais curtas. Ou seja, a probabilidade era grande de pegarmos uma chuvinha no caminho. Não ia ser muito agradável.

Maurício: “Salsa, qual a velocidade de uma tempestade?”
Salsa: “Pra ser sincero, por volta dos 120km/h”

Maurício: “Hum… Bom, a gente não pode fazer nada, nesse jogo não tem pause… Vamos andando.”

Por sorte, ou pelo fato do loading da tempestade ter demorado demais, chegamos secos à estação e seguimos para o hotel. Chegamos lá às 17:50, ainda a tempo de pegar a reserva. Durante todo o caminho, desde quando decidimos voltar por causa da reserva, tentei ligar para Jovan, que iria ficar no hotel conosco. Mas não o encontramos mais na feira e nem conseguíamos falar com ele no celular. Parecia estar descarregado. O Jovan só sabia que iríamos ficar no Formule 1, mas não sabia em qual unidade. Bom, eu tentei…

Subimos para 5o andar, quarto 532. “Bem que podia ser quarto 512″, disse ao Salsa, me referindo aos números da base 2. Os quartos do hotel possuem fechaduras a cartão. Essas fechaduras me lembram muito Resident Evil. Inserimos o cartão, a fechadura fez um bip e abrimos a porta. O cartão, então, deve ficar inserido num slot ao lado do interruptor de luz, para que haja energia no quarto. Caso o cartão seja retirado desse slot, minutos depois a energia é desligada.

Estávamos doidos por um banho. Claro, chegamos de viagem e desde então estávamos andando pra lá e pra cá. Desarrumamos nossas malas, pegamos texturas novas e nossas toalhas.

Maurício: “Você sabe que o game design desse hotel é meio mal feito né? A jogabilidade dentro do box é muito ruim. Não tem onde pendurar toalha nem roupa, e a água as vezes vaza por baixo da porta.”
Salsa: “Caraca, tá pior que Driv3r. Sistema de colisão muito mal feito.”
Maurício: “Pelo menos o controle do chuveiro é 100% analógico. Na vertical você regula a intensidade da água, e na horizontal, você regula a temperatura. Muito bem bolado”

Depois do banho batemos um papo e lembrei que ia começar o GameTV. Salsa nunca tinha visto, foi uma oportunidade boa dele conhecer. Gostou muito, por sinal. Achou interessante o conceito do Combo Fala+Joga.

Após o GameTV, já tínhamos decidido que não íamos voltar para a EGS naquele dia. Não compensava, estávamos muito cansados e já nem dava tempo. Ficamos batendo papo por um tempo. às vezes, ouvíamos alguém bater à porta. Aliás, o Salsa ouvia. Ele ia, olhava pelo olho mágico da porta, que estava quebrado, mas não tinha ninguém.

Maurício: “Eheheh tá louco, você tá ouvindo demais.”
Salsa: “Sei lá, parecia que tinha alguém lá fora.”

Até que, de repente, ouvimos alguém mexer na porta. Parece que estava abrindo. paramos de conversar na hora, e olhamos fixamente para a porta. Aquela expectativa quando de repente a porta abriu…

… Era o personagem secreto Jovan. Depois do susto, caímos na gargalhada. Jovan não entendeu nada.

Maurício: “Po, o Salsa já tava ouvindo uns trem aí fora toda hora, ai você chega do nada e abre a porta? Eu achei que iam assaltar o quarto ou alguém veio avisar que o prédio tava pegando fogo”
Jovan: “AHAHAH vocês são loucos!”

Então, Jovan entrou e conversamos mais um pouco. Falamos sobre nossas expectativas sobre a EGS desse ano, qual o rumo dela, o que mudou desde o ano passado… Praticamente uma mesa redonda. Estávamos com fome, e decidimos pedir uma pizza.

Jovan desceu para pegar o kit 3a pessoa do quarto e aproveitou para pegar umas indicações de pizzaria. Enquanto isso, tentei ligar para o Marcelo, mas ele ainda não havia chegado da feira. Deixei recado pedindo para que me ligasse assim que chegasse.

Jovan subiu com dois panfletos. Tentamos decidir qual pizza pedir:

Salsa: “Vamos pedir e alho, vocês gostam de alho?”
Maurício: “PIzza de alho? Puxa nunca pedi, mas pede ai, gostaria de experimentar.”
Jovan: “Olha tem essa baiana aqui, com molho apimentado”
Salsa: “Nó, adoro pimenta, vamos pedir de alho e baiana”
Jovan: “Tá louco? Ninguém vai conseguir dormir depois, e o banheiro vai ficar concorrido.”
Maurício: “Molho apimentado não. Alho eu até agüento, mas pimenta não. Vamos pedir então de brócolis”
Jovan: “Brócolis? Você tá de brincadeira eheheh”
Maurício: “Não, é sério, eu gosto de brócolis. A gente pede então de brócolis, alho e baiana”
Salsa: “Não… o Jovan tem razão. Alho e baiana não vai ser nada bom.”
Maurício: “E essa aqui… o que é Escarola?”
Salsa: “Hum.. é tipo.. rúcula”
Maurício: “E o que é rúcula”
Salsa: “Tipo chicória”
Maurício: “Caraca, e o que é chicória?”
Jovan: “HAHAHAHA Ah não, pede logo eu to com fome.”
Maurício: “Liga lá e pergunta o que é escarola”

No final das contas, pedimos uma Toscana. Enquanto esperávamos, conversamos um pouco mais. E então bateram à porta.

Jovan: “É um gordinho de óculos”
Salsa: “???”
Maurício: “… AH! É o… João Paulo, mas… Como que ele sabe que a gente tá aqui? Abre ai.”

João Paulo veio avisar que o Marcelo estava lá embaixo, esperando. Eles iam ao Outback. Puxa, como ninguém avisa ou liga antes? Agora a gente já tava praticamente de pijama e tinha pedido uma pizza. O João Paulo então desceu novamente pra avisar o Marcelo. Pouco tempo depois que fechamos a porta, bateram novamente… Agora sim, era a pizza.

Maurício: “Caraca, que festa. Nosso apartamento deve ser o mais movimentado do hotel.”

Quando estávamos comendo a pizza, bateram a porta de novo. Dessa vez era o Marcelo com o João Paulo. Veio ver se a gente realmente não queria ir. Ainda mais agora que a gente já estava jantando. Então eles partiram.

Depois da pizza, conversamos mais um pouco. Basicamente sobre o mercado nacional, internacional, jogos, tendências. Até que soltei um tema que sabia ia dar polêmica.

Maurício: “tem um negócio que eu sei que o Salsa vai achar ruim, mas que tá me incomodando. A sensação de deja-vu todo ano. Todo ano sai um Need for speed novo, Um Prince of Persia novo, um Burnout novo… São jogos que, se você for ver bem, suas seqüências e todas possuem a mesma essência, é mesmo jogo relançado com roupa nova.”

Aí começou a discussão, mais especificamente sobre Burnout. Eu dizia que Burnout 1, 2, 3, e Revenge eram no fundo todos o mesmo jogo, e o Salsa dizia que não era bem assim. Ficamos horas discutindo isso, Jovan até dormiu, de tão cansado (e de saco cheio da discussão sobre Burnout). Horas depois, quando estávamos esgotando nossos argumentos, Jovan deu uma acordada, talvez pelo silêncio repentino.

Salsa: “Jovan, ainda bem que você acordou. Estávamos com um assunto aqui sobre Burnout, queríamos a sua opinião…”
Jovan: “Ah não! Não acredito, até agora vocês tão discutindo isso?”

Era só brincadeira eheheh. Sabíamos que ele tava de saco cheio de Burnout. Então fomos dormir. O segundo dia de EGS estava esperando.

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