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— Tilts

Electronic Games Show 2005, Capítulo 5: Most Wanted

por Mauricio Carvalho

Chegamos à feira e ligamos para o Marcelo para que ele trouxesse a câmera com o microfone dessa vez. E que chegasse cedo!

Enquanto andávamos pela feira, Salsa conversou um pouco com o pessoal da EGM Brasil e, enquanto eu tirava umas screenshots do cenário, eis que surge, num dos corredores, o segundo personagem secreto.

Luciano, ou Oblivion, é um amigo nosso que morou um tempo em Belo Horizonte, mas um tempo atrás, teve que se mudar para Porto Alegre, a trabalho. Quando morava em Belo Horizonte, saíamos muito pra tomar uma cerveja e jogar uma conversa fora. Alem disso, ele possui todos os consoles atuais, e sempre que chegava um jogo novo, ele nos chamava para uma visita em sua casa. Jogávamos um pouco, tomando uma long neck e batendo papo.

Maurício: “Fala Brazão! Como é que tá cara?”
Luciano: “E ai meu! Putz, to morto de ressaca. To precisando dormir um pouco”
Maurício: “É, tô vendo sua barra de energia quase acabando. Vai pra casa cara, dorme um pouco que mais tarde a gente vai fazer um happy hour com todo mundo”
Luciano: “É, vou mesmo. Você tá sozinho aí?”
Maurício: “Não, o Salsa tá ali. Vamos lá.”

Como era sábado, a feira estava bem mais cheia. Mas ainda não houve sinais de slowdown nem queda de framerate. Luciano, Salsa e eu então conversamos um pouco, tiramos algumas screenshots até que Luciano foi embora. Antes, ele nos deixou um item: um vale refrigerante. Acabou que nem usamos, pois na sala de imprensa tínhamos bastante água disponível para nos refrescar.

Tudo parecia tranquilo. Tudo rodando a 60fps constantes. Até que um dos momentos mais emocionantes teve início.

GameTV chegou, e, junto com eles, a Luiza. Ano passado, quando a Luiza estava gravando matéria para o G4 Brasil, as coisas eram tranqüilas. O assédio era mínimo. Ela chegou a lanchar, juntamente com Luciano Amaral, tranqüilamente no meio da praça de alimentação. Talvez porque no ano passado, o G4 Brasil era um programa novo e nem todo mundo conhecia.

Hoje é diferente. Não só existe o G4 Brasil a mais de um ano, mas agora temos o GameTV, e ambos possuem um considerável sucesso na comunidade gamer nacional. Quando a Luiza apareceu no saguão da feira, juntou-se uma multidão em volta dela e de sua equipe. Ela gravou alguns takes em alguns stands e, onde ela ia, uma multidão ia atrás.

Estávamos andando tranqüilamente pelos corredores até que sentimos aquela ligeira queda no framerate da feira.

Maurício: “Alá! Deve ser a Luiza que tá ali”
Salsa: “Heheh vamos lá registrar a tietagem”

A Luiza estava num stand jogando Tekken usando sensores. Uma multidão estava em volta dela. Todos eufóricos querendo uma palavra ou tocar a moça. Salsa filmou algumas cenas e tirou algumas screenshots do cenário. Pouco depois, ela termina de filmar e sai do stand. A multidão a segue.

Salsa: “Vamos!”

Salsa com a câmera foi atrás da multidão. Eu até comecei a segui-lo, mas depois pensei: “Em algum momento, ela irá para a sala de imprensa. Vou ficar lá esperando por isso”. Então peguei outro caminho e cheguei na porta da sala de imprensa. Iria esperá-la ali até que ela entrasse, e depois, entraria junto. Talvez fazer uma entrevista com ela, bater um papo ou coisa assim. Mal cheguei e já avistei a multidão chegando. Sim, a Luiza estava vindo para a sala de imprensa! Seria a hora de poder fazer uma entrevista!

Ela chegou e já foi entrando, deixando a multidão pra fora. Pensei em entrar, mas… Cadê o Salsa? Ele que estava com a câmera, não teria como eu tirar fotos, filmar nem fazer nada sem ela! Tentei ligar pra ele, tentei procurá-lo, mas não encontrei. Fiquei um tempo esperando até que ele apareceu. Então a gente entrou na sala de imprensa.

Ver as coisas lá de dentro, é bem diferente. A multidão grudada no vidro da sala, mostrando cartazes e gritando pela Luiza. Ela, numa sala reservada ao GameTV, conversando com sua equipe e, de vez em quando, acenando para as pessoas lá fora. Vários seguranças foram deslocados para a sala de imprensa por causa desse imprevisto.

Depois de um tempo ela então saiu novamente da sala. Deve ter ido gravar mais uma matéria. A multidão a seguiu, como de costume. Eu e Salsa permanecemos dentro da sala de imprensa. ouvíamos as pessoas gritando por ela, inclusive “gostosa, gostosa”. Nessa hora já começava a ficar constrangido por ela. Ela tinha virado uma celebridade.

Pouco tempo depois ela voltou para a sala de imprensa. Dessa vez a multidão parecia maior, e quase derrubaram a porta. Os polígonos chegaram a deformar, então vários seguranças foram chamados para controlar a multidão. Não foi fácil.

Até que, para surpresa, o chefão final apareceu na sala de imprensa. Um dos organizadores do evento, presidente da Oelli no México, veio alertar a equipe da GameTV que, se a multidão não fosse acalmada, a Luiza deveria se retirar do evento. Discutiram por um tempo até que a Luiza vai até a porta da sala para falar com seus fãs.

Luiza: “Pessoal, por favor, gostaria de falar com vocês”

Demorou até que o pessoal se controlasse.

Luiza: “Gostaria de falar com vocês algumas coisas que serão necessárias para que eu não tenha que deixar a feira. 1o: sem essa de gostosa. Gostaria de mais respeito, não me sinto bem ouvindo isso. 2o: vocês devem se controlar. A organização da feira veio me alertar que, vários stands não gostaram da multidão passando pelos corredores, que isso atrapalha a exposição. 3o. Estou disposta a dar autografo e tirar fotos com todos vocês, mas vocês precisam se organizar. Caso vocês não se acalmarem, eu vou ter que ir embora, ok?”

Bom, surtiu efeito. Em segundos uma fila foi formada, com ajuda dos seguranças. A Luiza então sentou a mesa e deu autografo e tirou foto, um por um. A fila estava enorme.

Nessa hora Marcelo chegou com João Paulo. Eles trouxeram a câmera e o microfone. Não perdi tempo e fui fazer umas entrevistas. Entrevistei uns garotos e garota da fila de autógrafos.

Maurício: “Você já jogou o Xbox 360?”
NPC na fila: “Sim”
Maurício: “E essa fila aqui é pra jogar o que?”
NPC na fila: “Nada, é pra pegar um autografo com a Luiza”
Maurício: “Você vai enfrentar essa fila enorme pra pegar um autografo com a Luiza? Tá cheio de jogo ai pra você ver sem fila!”

Enquanto a Luiza estava atendendo a seus fãs, fui fazer umas entrevistas. Entrevistei algumas pessoas na fila do autógrafo e outras na fila do Xbox360. Foi mais um teste do que algo definitivo, mas gostei muito da experiência.

Durante a parada para autógrafos, a sala de imprensa parecia estar mais tranqüila, a não ser pela fila da Luiza. Pudemos, então usar um dos computadores disponíveis aos jornalistas. Infelizmente, não foi possível descarregar fotos muito menos enviar algumas por e-mail. Os computadores estavam rodando Windows 98 e não reconheciam as câmeras digitais sem a instalação dos drivers. Depois de conversarmos mais um pouco, saímos para dar mais uma volta pelos stands.

Andamos pelos stands, e vimos que havia um mezanino no saguão, onde alguns jornalistas estavam tirando fotos e fazendo umas filmagens de cima. Então decidimos ir lá também. Tiramos algumas fotos, filmamos um pouco e descemos novamente.

Quando estávamos no stand de Prinston Tale, vimos algo curioso. O stand possuía, além de computadores conectados com o jogo rodando, dois gabinetes estilo de fliperama ligados à Internet para cadastro de usuários. Neste momento estava sendo feita uma sessão de exercícios de alongamento liderada por uma fisioterapeuta. A musica tocando no fundo e a fisioterapeuta passando exercícios de alongamento pro pessoal. Um grupo de jovens aproveitou a distração do stand e começou a mexer no gabinete de cadastros. Até que os percebo correndo. Eles tinham conseguido burlar o sistema de segurança do gabinete e acessado a Web normal, saindo da tela de cadastro. Demorou um pouco, mas as moças do stand logo perceberam e deram um jeito de arrumar a bagunça.

Ficamos então sabendo que mais tarde a Futuro iria fazer uma mesa redonda no auditório da feira. Então fomos pra lá. Eu já sabia, mas mesmo assim fiquei decepcionado: as perguntas só falavam de pirataria.

Os gamers que estavam na platéia faziam perguntas do tipo “Emulação é ilegal?”, “Por que pirataria é crime se o preço do original é tão alto?” ou, no máximo “Qual é melhor: Xbox 360 ou Playstation 3?”. Perguntas que não acrescentam nada em nada. Coisas que são irrelevantes.

Maurício: “Salsa, faz uma pergunta aí. Vamos mudar esse assunto. Tô de saco cheio de ouvir esse lenga lenga sobre pirataria”

Até que no final, o Salsa pode fazer uma pergunta. Perguntou sobre a EGS e o impacto dela no mercado nacional.

Depois da mesa redonda já estávamos exaustos de tanto andar. Então decidimos ir embora. A feira também já estava terminando. Ligamos para o amigo do Marcelo para que ele nos buscasse de carro. Pelo menos não teríamos que andar até a estação…

Enquanto esperávamos o Leandro, conversamos um pouco lá fora e, no meio do pessoal, tinha dois garotinhos brincando de espada com os balões que a Microsoft estava distribuindo na feira. Parecia uma luta de Soul Calibur ao vivo. “The legend will never die”

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